Resumo do Livro VIII da obra “A República” de Platão

Dialogando com Glauco, Sócrates começa a discorrer sobre as formas de governo e as formas de indivíduos que se adaptam à essas formas de governo. Sobre a aristocracia, eles afirmam que a consideram boa e justa. Depois, Sócrates fala sobre como a aristocracia se torna uma timocracia, um governo intermediário entre a aristocracia e a oligarquia.

Ele diz que existe um número geométrico que deve ser considerado sempre para a procriação dos guardiões. Uma vez desconsiderado este número pelos guardiões, haverá de nascer filhos guardiões que, quando chegarem no poder, haverão de desconsiderar a música e a ginástica na educação do Estado e, com isso, os jovens se tornarão mais incultos. Esses se tornarão desinteressados pelo governo e em discernir as pessoas das raças de ouro, prata, bronze e ferro. A mistura do ferro com a prata e do bronze com o ouro, decorrente desse desinteresse dos governantes, gerará a guerra e a discórdia. Isto, para Sócrates, causaria a transformação da aristocracia numa timocracia. Ainda sobre a timocracia, Sócrates afirma que nesta existe uma característica “peculiar e evidente”, que é “… o domínio da emotividade que provoca intriga e ambição”.

Já dialogando com Adimanto, Sócrates fala sobre a gênese e o caráter do jovem timocrático. Ele diz que a única maneira deste tipo de jovem guardar suas virtudes já adquiridas seria através da aliança da razão com a música.

Após esse discurso, Sócrates e Adimanto passam a discorrer acerca da oligarquia. Sócrates diz sobre a oligarquia, que esta é a “… organização do Estado fundada sobre a renda, aquela em que os ricos governam e os pobres são privados de todo poder.” Eles dois passam a discorrer sobre como a timocracia se torna uma oligarquia, falando também sobre o caráter do homem oligárquico. Sobre esta transformação da timocracia em oligarquia, Sócrates diz que “… se num Estado a riqueza e os ricos são estimados, a virtude e os honestos são desprezados.” Acerca do caráter do jovem oligárquico, ele diz que este tem muito apreço pelas riquezas e que não se interessa pela cultura.

Mais à frente, Sócrates e Adimanto passam a falar sobre a democracia. Sobre a transformação da oligarquia em democracia, eles falam sobre o fato de que os governantes, na oligarquia, querem ficar cada vez mais ricos e, para isso, emprestam dinheiro para jovens que se entregam à libertinagem. Deste modo, muitos homens são reduzidos à pobreza. Mas estes pobres, na condição de súditos, se voltam contra os governantes e, assim, cria-se uma guerra civil. Então, para Sócrates, a democracia se estabelece “… quando os pobres vencem, massacram alguns, mandam para o exílio outros e, com os restantes, dividem em condições de igualdade o governo…”.

Ele diz também que a democracia dá muita liberdade às pessoas, mas que essa liberdade não é tão boa quanto parece, pois deixa-se de levar em conta os valores de que Sócrates e os outros discutiam até agora sobre a criação de um Estado.

Sobre o caráter do homem democrático, Sócrates diz que este vive satisfazendo o primeiro desejo que aparece, sem distinguir os desejos honestos dos desejos maus; assim, o homem democrático chama de educação a insolência, de liberdade a anarquia, de magnificência a libertinagem, e a coragem de impudicícia.

Por fim, falam acerca da tirania, o último tipo de governo discutido por eles. A tirania surge, segundo Sócrates, da degeneração da democracia, da extrema liberdade experimentada na democracia e do apreço que o povo dá a esta liberdade.

Ele diz que, na democracia, a tirania surge quando o povo, crendo que alguns ricos pretendem criar uma oligarquia, passa a defender um homem chamado de “protetor do povo”. Um chefe da cidade, vendo a submissão do povo para com este protetor, defende-o e, assim, se volta contra os ricos. Os súditos procuram criar uma ocasião para matar este chefe, mas ele, se permanece vivo e livre, pede ao povo uma escolta especial para o “protetor do povo”. Assim, este chefe rico, que poderia ser antipático, ganha o povo ao proteger o seu “protetor”, e, eliminando muitos adversários, acaba por se tornar um novo tirano deste Estado. Quando chega ao poder, este tirano começa seu governo tratando bem ao povo e a seus partidários, perdoando dívidas e distribuindo terras. Mas, para permanecer no poder, ele acaba por eliminar alguns inimigos, homens de espírito livre e até os seus amigos.

Sócrates critica os poetas trágicos por elogiarem a tirania, e diz que quanto mais superior é o governo de uma cidade, menos prestígio terão estes poetas. No final do Livro VIII, Sócrates diz que este tirano maltrataria até o próprio pai para se manter no poder.

Clique aqui para ler o resumo do Livro IX da obra “A República” de Platão

Uma resposta para “Resumo do Livro VIII da obra “A República” de Platão”.

  1. Avatar de Marcia Ferreira de Oliveira
    Marcia Ferreira de Oliveira

    Excelente resumo e explanação do Livro VIII da obra “A república de Platão”, parece que em dado momento estão falando dos governos atuais. Muito atual. Parabéns!

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