• Resumo do Livro II de “A República” de Platão

    27 de janeiro de 2023
    Filosofia Antiga

    O Livro II se inicia com Sócrates conversando com Glauco acerca da natureza da justiça, se ela é agradável ou penosa por si mesma e se podemos apreciá-la por suas consequências ou não. Sócrates afirma, de início, que a justiça é apreciável por si mesma e por suas consequências. Já Glauco afirma que ela não é apreciável por si mesma, mas penosa como a medicina e outras profissões lucrativas, mas é apreciável pelas suas consequências, como o lucro e as honrarias.

    Assim, como argumento para defender a ideia de que os homens justos cometeriam injustiças igualmente aos injustos e que a justiça não é vantajosa por si mesma, Glauco fala sobre um homem chamado Giges. Giges, nesta lenda, estava na condição de pastor do rei, que então reinava em Lídia. Em determinado dia, ocorre um terremoto, acompanhado de um temporal, e a terra se fende no local onde Giges apascentava os rebanhos. Ele observa a fenda e desce por ela, encontrando um anel de ouro num dos dedos de um cadáver que encontrara. Ele nota que o anel dá o poder da invisibilidade. Usando deste poder, Giges torna-se amante da rainha, mata o rei e passa a governar no lugar dele.

    No fim do discurso de Glauco sobre a opinião da vida do homem justo e do homem injusto segundo os partidários da injustiça, Adimanto, seu irmão, decide intervir no diálogo por achar que as palavras de seu irmão tivessem sido insuficientes, acrescentando ao diálogo diversas opiniões acerca da vida do homem justo e do injusto, como opiniões de partidários da justiça, como Hesíodo e Homero.

    Ao final de sua fala, Adimanto pede para que Sócrates apresente uma demonstração que louve a justiça e a vida do homem justo. Sócrates aceita o pedido de Adimanto e inicia seu discurso descrevendo o surgimento de um Estado, em suas palavras, puro e simples. Glauco intervém com uma observação que faz com que Sócrates passe a descrever um Estado em que se vive no luxo ou, ainda, um Estado “repleto de humores doentios”. Este tipo de Estado, segundo Sócrates, necessita de um exército numeroso para defender seu território.

    A partir desta observação, Sócrates e Glauco passam a dialogar a respeito do tipo de índole que os defensores – guerreiros do exército – precisariam possuir para executar seu ofício com maestria. Um indivíduo meigo com os amigos, agressivo com os inimigos e ávido por aprender, eis a índole necessária para se fazer um bom defensor; esta é a conclusão de Sócrates e Glauco.

    Após esta conclusão, Sócrates, junto a Adimanto, passam a investigar qual tipo de educação deve ser dada para criar um indivíduo com esta índole. Dialogando entre si, eles concluem que deve ser dada uma educação com música e ginástica.

    Com relação às poesias que devem ser difundidas no Estado, estas devem dizer apenas que os deuses são os únicos causadores das coisas boas e que não enganam nem mentem.

    Clique aqui para ver o resumo do Livro III da obra “A República” de Platão

    A República, Filosofia Antiga, Platão
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  • Resumo indicativo da obra “A República” de Platão – Livro I

    26 de janeiro de 2023
    Filosofia Antiga

    Esta é a mais importante obra de Platão. O principal personagem do diálogo “A República” é Sócrates. Nesta obra, a partir de diálogos entre Sócrates e outros personagens, Platão discute, principalmente, a questão da Justiça e de um modelo ideal de governo. A obra foi dividida em dez livros. Neste post, temos o resumo do Livro I.

    Referência Bibliográfica: PLATÃO. A República. Tradução de Ciro Mioranza. São Paulo: Lafonte, 2017.

    Livro I

    Após orar à deusa e ver o espetáculo que ocorreu em uma festa, Sócrates vai à casa de Polemarco, filho de Céfalo. Dando início ao debate entre os presentes, Sócrates e Céfalo discutem acerca da velhice e das vantagens de se possuir riquezas.

    Num dado momento da conversa, Sócrates diz a Céfalo que não se poderia definir a justiça como o fato de ser sincero e de restituir o que se tomou emprestado de uma pessoa. Polemarco responde o contrário, dizendo que poderia ser dada essa definição à justiça se Simonides merecesse crédito. Daí em diante, o debate ocorre entre Sócrates e Polemarco, que investigam qual deveria ser a correta definição da justiça. Os dois iniciam concordando com a frase de Simonides, que diz que “é necessário restituir a cada um o que é seu”, mas, após uma minuciosa discussão dessa afirmação, Sócrates e Polemarco concluem que à justiça deveria ser dada outra definição.

    Na continuação do Livro I, Trasímaco entra em cena e começa a debater com Sócrates sobre o tema abordado por ele e Polemarco, acerca da justiça e o que é justo. Neste momento, Trasímaco traz a ideia de que a justiça é “o interesse do mais forte” e Sócrates decide discutir esta nova ideia também. Para discuti-la, menciona a ideia de que toda arte não serve a si própria ou a quem a executa, mas serve ao objeto ao qual ela é aplicada ou ao indivíduo que está numa posição de subordinação a essa arte. Por exemplo, a medicina é uma arte que não serve a si mesma, mas ao corpo humano, e não serve ao médico, que é o artista, mas ao paciente, que é o subordinado na relação médico-paciente. Como outro exemplo, temos a arte da navegação, que não serve a si mesma, mas aos navios, e não serve ao comandante dos marinheiros, mas aos marinheiros. Sócrates conclui, com isso, que toda arte visa o interesse do mais fraco e não do mais forte. Ele utiliza o exemplo do governante que não governa para si próprio, mas para os súditos, que são os mais fracos na relação governante-súditos.

    Ainda sobre a justiça, Sócrates e Trasímaco questionam se é mais vantajoso para o homem ser justo ou injusto. Antes de responder a essa pergunta, Sócrates conversa com Glauco dizendo que, se o Estado fosse composto de homens honestos, haveria uma corrida para não governar, mas, ao invés disso, os honestos buscam o governo com medo de que os desonestos governem. Sobre a questão da vantagem de ser justo ou injusto, Sócrates afirma que a virtude da alma é dirigir bem a vida, logo, dirigi-la com justiça. A partir desta afirmação, ele convence Trasímaco que o homem justo é feliz e o homem injusto é infeliz, concluindo que é mais vantajoso ser justo do que injusto. Sócrates termina o Livro I dizendo que não conseguiu descobrir o que viria a ser a justiça.

    A República, Filosofia Antiga, Platão

    Clique aqui para ler o resumo do Livro II da obra

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