O Livro II se inicia com Sócrates conversando com Glauco acerca da natureza da justiça, se ela é agradável ou penosa por si mesma e se podemos apreciá-la por suas consequências ou não. Sócrates afirma, de início, que a justiça é apreciável por si mesma e por suas consequências. Já Glauco afirma que ela não é apreciável por si mesma, mas penosa como a medicina e outras profissões lucrativas, mas é apreciável pelas suas consequências, como o lucro e as honrarias.
Assim, como argumento para defender a ideia de que os homens justos cometeriam injustiças igualmente aos injustos e que a justiça não é vantajosa por si mesma, Glauco fala sobre um homem chamado Giges. Giges, nesta lenda, estava na condição de pastor do rei, que então reinava em Lídia. Em determinado dia, ocorre um terremoto, acompanhado de um temporal, e a terra se fende no local onde Giges apascentava os rebanhos. Ele observa a fenda e desce por ela, encontrando um anel de ouro num dos dedos de um cadáver que encontrara. Ele nota que o anel dá o poder da invisibilidade. Usando deste poder, Giges torna-se amante da rainha, mata o rei e passa a governar no lugar dele.
No fim do discurso de Glauco sobre a opinião da vida do homem justo e do homem injusto segundo os partidários da injustiça, Adimanto, seu irmão, decide intervir no diálogo por achar que as palavras de seu irmão tivessem sido insuficientes, acrescentando ao diálogo diversas opiniões acerca da vida do homem justo e do injusto, como opiniões de partidários da justiça, como Hesíodo e Homero.
Ao final de sua fala, Adimanto pede para que Sócrates apresente uma demonstração que louve a justiça e a vida do homem justo. Sócrates aceita o pedido de Adimanto e inicia seu discurso descrevendo o surgimento de um Estado, em suas palavras, puro e simples. Glauco intervém com uma observação que faz com que Sócrates passe a descrever um Estado em que se vive no luxo ou, ainda, um Estado “repleto de humores doentios”. Este tipo de Estado, segundo Sócrates, necessita de um exército numeroso para defender seu território.
A partir desta observação, Sócrates e Glauco passam a dialogar a respeito do tipo de índole que os defensores – guerreiros do exército – precisariam possuir para executar seu ofício com maestria. Um indivíduo meigo com os amigos, agressivo com os inimigos e ávido por aprender, eis a índole necessária para se fazer um bom defensor; esta é a conclusão de Sócrates e Glauco.
Após esta conclusão, Sócrates, junto a Adimanto, passam a investigar qual tipo de educação deve ser dada para criar um indivíduo com esta índole. Dialogando entre si, eles concluem que deve ser dada uma educação com música e ginástica.
Com relação às poesias que devem ser difundidas no Estado, estas devem dizer apenas que os deuses são os únicos causadores das coisas boas e que não enganam nem mentem.
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