Resumo indicativo da obra “Eutífron” de Platão

Referência Bibliográfica: PLATÃO. Eutífron (ou Da Religiosidade). In: PLATÃO. Diálogos III. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2015. p. (115-138).

Eutífron questiona Sócrates se alguém havia movido uma ação pública contra ele. Sócrates confirma que um jovem chamado Meleto o havia acusado. Eutífron quer saber qual seria a acusação, e Sócrates responde que Meleto o acusa de corromper os jovens, ao criar novos deuses e não confiar nos antigos. Então, Eutífron comenta que Sócrates foi processado porque afirma que o dáimon se manifesta regularmente a ele.

Mais adiante, Sócrates pergunta se há alguma ação relativa a Eutífron. Ele responde que acusou o próprio pai de homicídio. Afirma ainda que seu pai e seus parentes alegam ser irreligioso processar o pai por homicídio, o que, para ele, está incorreto, pois considera religioso acusar qualquer pessoa que cometa homicídio, mesmo sendo pai ou mãe. Eutífron acrescenta que são incoerentes os que afirmam que seu ato é irreligioso, uma vez que consideram Zeus o mais justo dos deuses, mesmo tendo este acorrentado o próprio pai por engolir injustamente os filhos e castrado seu próprio pai.

Então, Sócrates pergunta a Eutífron qual seria a forma do ato religioso, isto é, aquilo que torna os atos religiosos. Eutífron responde, definindo como religioso o que é caro aos deuses, e como irreligioso o que não é caro a eles. Sócrates decide examinar essa definição. Argumenta que é sobre o bom e o mau, o justo e o injusto, que surgem divergências entre os homens, gerando inimizades. Eutífron concorda. Sócrates estende o raciocínio aos deuses, mostrando que uma mesma ação poderia ser cara a Zeus, mas odiada por Cronos ou Urano. Eutífron discorda, dizendo que, no caso do homicídio cometido por seu pai, não haveria divergência entre os deuses: todos considerariam que ele deveria ser punido. Sócrates observa que poderia haver divergência entre homens e deuses quanto a atos particulares, mas não sobre o princípio de que atos injustos devem ser punidos. Eutífron concorda.

Na sequência do diálogo, Sócrates pede que Eutífron demonstre que é correto um filho processar o pai que matou um assassino. Quer saber se os deuses consideram injusta a morte do assassino. Porém, antes dessa demonstração, Sócrates sugere que se suponha que todos os deuses considerem esse ato injusto. Além disso, propõe uma nova formulação: agora, é religioso tudo o que é amado pela totalidade dos deuses e irreligioso o que é odiado por todos eles. Os dois se dispõem a examinar essa definição.

No início do exame, Sócrates pergunta a Eutífron: algo é religioso porque é amado pelos deuses, ou é amado pelos deuses porque é religioso? Essa questão, levantada por Sócrates, ficou conhecida como o Dilema de Eutífron. A partir dela, e de uma argumentação, Sócrates conclui que o que é caro aos deuses e o que é religioso são coisas distintas. Assim, eles voltam a buscar uma definição do religioso. Sócrates sugere, então, que o religioso é necessariamente justo. Mais especificamente, afirma que o religioso é uma parte do justo, e Eutífron concorda. Sócrates quer saber qual parte do justo corresponde ao religioso, e Eutífron responde que é a parte relativa ao culto aos deuses, enquanto a outra parte do justo se refere ao zelo pelo homem. Diante disso, concluem que o culto aos deuses não é um benefício a eles nem algo que lhes agrade, mas sim o que é caro aos deuses — conclusão que ambos já haviam rejeitado antes.

A obra termina sem que se chegue a uma definição clara do que sejam o religioso e o irreligioso.

Deixe um comentário