Referência Bibliográfica: Platão. Hípias Maior (ou Do Belo). In: PLATÃO. Diálogos II. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2016. p. (239-278).
O início da obra se dá com Sócrates elogiando Hípias, o chamando de nobre e sábio.
O primeiro questionamento, dirigido a Hípias, é o porquê dos sábios do passado, como Pítaco, Tales de Mileto e Anaxágoras, não terem se envolvido nos negócios públicos, mas apenas nos negócios privados.
Hípias responde ao dizer que isto ocorreu simplesmente porque foram incapazes de envolver inteligência e sabedoria em ambos os negócios; então Sócrates o questiona, perguntando a este se a arte dos sofistas (a arte de Hípias) havia progredido e, portanto, os antigos que se ocupavam da sabedoria haviam perdido o valor se comparados a ele, ao que este responde que é exatamente esse o caso.
Um pouco mais a frente, Sócrates cita Górgias e Pródico como exemplos de sábios que ganharam muito dinheiro com seus discursos e exibições, no entanto, ele lembra que os antigos pensadores nunca cobraram nenhum dinheiro pela sua sabedoria.
Então Hípias fala do muito dinheiro que ele obteve com suas exibições em diversos lugares. Sócrates responde, afirmando que os antigos sábios, se comparados aos atuais, eram muito mais ignorantes, uma vez que os primeiros não arrecadaram tantos bens quanto os últimos, isto a julgar pela opinião e pela fala que ouvira.
Na sequência do diálogo, Sócrates lhe pergunta por que ele não ganhou dinheiro algum em Esparta com o ensino da virtude. Eles concordam que Esparta era regida por boas leis e que, por isso, a virtude era algo tido em alta estima por lá.
Hípias lembra a Sócrates de que os espartanos não aceitavam ensinamentos de estrangeiros. Apesar de ele ser aplaudido em Esparta, lá o ensino estrangeiro é contra a lei. A respeito disso, Sócrates conclui que, por ser mais benéfico aos espartanos se estes fossem ensinados por Hípias do que por eles mesmos, então o fato deles não serem instruídos por ele é ilegal.
Sócrates também quer saber de Hípias quais são os assuntos que os espartanos apreciam e aplaudem quando são proferidos. O último responde dizendo que eles adoram ouvir sobre a genealogia dos heróis e seres humanos, além da fundação de cidades das épocas antigas, sobre a Antiguidade em geral.
Mais à frente, Hípias fala de um discurso que ele proferiu em Esparta que dizia respeito às atividades nobres que os jovens deveriam realizar.
Sobre as atividades nobres ou belas ações, Sócrates pede a Hípias que eles debatam sobre uma questão primordial: ele quer saber o que é o belo (ou nobre). Aceita a proposta, de início Sócrates o questiona acerca do que o belo é.
Hípias responde com um exemplo de coisa bela. Sócrates diz que esta resposta não é satisfatória, uma vez que a pessoa que perguntou a ele acerca da natureza da beleza insistir em fazer questionamentos e não aceitar a resposta recebida.
Os dois concordam com a afirmação de que uma coisa que é apropriada é bela, enquanto o inapropriado é feio. Então Sócrates relembra um dos questionamentos que aquela pessoa fazia a ele, questionando acerca de qual colher seria mais apropriada para servir uma sopa que está armazenada num pote: uma colher de ouro ou uma feita da madeira da figueira. Hípias responde, dizendo que a colher mais apropriada seria a de madeira. A partir desta resposta, Sócrates o questiona novamente acerca do que é o belo.
Hípias diz que Sócrates está procurando definir o belo como algo que nunca parecerá feio em lugar algum e para ninguém. Sócrates diz que é justamente este o caso.
Hípias define o belo, mais uma vez, de maneira insatisfatória, ao dizer que o mais belo é ser rico, saudável, ser objeto de honra dos gregos etc. Sócrates diz que o homem rirá deles dois com esta definição. Este último diz que o homem que discute com ele quer saber o que é o belo ele mesmo, aquilo por meio do qual todas as coisas que possuem a propriedade da beleza se tornam belas. Então Sócrates diz que o homem quer saber se é verdadeiro o caso de o apropriado ser o belo. Ele e Hípias decidem examinar esta afirmação.
Sócrates inicia este exame ao afirmar que o belo é o apropriado, e este deve tornar algo mais belo do que é, ao invés de apenas fazer parecer mais belo do que é, mas Hípias dá a opinião dele de que o apropriado faz algo parecer mais belo do que é, e não tornar algo mais belo de verdade.
A partir disso, Sócrates diz que o apropriado não é o belo e ele decide investigar a natureza do belo a partir de outra ideia: a de que o útil é o belo. Ele também fala que a capacidade de executar qualquer coisa é útil, enquanto a incapacidade não é útil. Dialogando com Hípias, os dois concluem que o belo é o útil e o poderoso voltados para a execução de algo bom.
Sócrates também diferencia o belo do bom, dizendo que o primeiro é a causa do segundo. Com base nesta última afirmação, eles concluem que o bom não é belo e que o belo não é bom, conclusão que não agrada a Sócrates e o faz rejeitar a afirmação de que o útil é o belo.
Mais à frente, Sócrates tenta mais uma vez definir a natureza do belo: desta vez, ele afirma ser o belo os prazeres que são experimentados pela audição e visão. Ambos decidem investigar esta hipótese. Acerca disso, eles concluem que não são belos os prazeres da audição e da visão por estes prazeres ocorrerem por meio de seus respectivos sentidos, mas existe algo idêntico que pertence a ambos os sentidos e a cada um deles individualmente que os tornam belos.
Sócrates também conclui que se algo pertence a ambos os prazeres mencionados, mas não individualmente a cada um deles, então estes prazeres não seriam belos por causa deste algo.
Hípias pergunta à Sócrates como seria possível algo pertencer a ambos os prazeres, mas ao mesmo tempo não pertencer a nenhum dos dois individualmente; ele afirma que concluir isso é irracional. Então Sócrates procura mostrar, através de uma argumentação, que existem objetos, como é o caso dos prazeres obtidos por meio da visão e da audição, que são belos tomados separadamente e também são belos se tomados ambos conjuntamente. Hípias concorda com esta conclusão.
Eles concluem com relação ao belo que se duas coisas são ambas belas, então as duas individualmente também são belas; por conseguinte, se duas coisas são cada uma delas bela, então ambas tomadas juntas também são belas.
Ambos os filósofos concordam com a ideia de que o prazeroso por meio da visão e da audição não serem o belo, apesar de serem belos os dois. Eles terminam a argumentação acerca do belo dizendo que este é o prazer benéfico, e que o benéfico é o que cria o bom.
Hípias critica Sócrates dizendo que este discurso acerca do belo era uma mera tagarelice insensata. Sócrates se defende, ao questionar se ele próprio não se sentiria envergonhado de debater assuntos tão importantes como discursos em tribunais e assembleias se ele nem conhece a essência do belo.
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