Resumo indicativo da obra “Górgias” de Platão

Referência Bibliográfica: Platão. Górgias (ou Da Retórica). In: PLATÃO. Diálogos II. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2016. p. (43-170).

Sócrates e Cálicles chegam tarde a uma festa por terem ficado muito tempo na ágora, graças a Querefonte. Sócrates quer falar com Górgias, que está hospedado na casa de Cálicles. Sócrates diz a Querefonte para fazer uma pergunta a Górgias. Este último diz que pode-se fazer a ele qualquer pergunta, e que há anos não lhe fazem uma pergunta nova. Pólo entra na conversa e diz para Querefonte testá-lo, ao invés de Górgias, uma vez que este estava muito cansado devido a um longo discurso que tinha acabado de proferir. Querefonte aceita a proposta de Pólo e daí estes dois iniciam um diálogo.

Então, Querefonte pergunta como deveriam chamar Górgias a partir da arte que ele exerce: Pólo não responde a pergunta, mas afirma que Górgias participa da mais nobre das artes. Sócrates diz que Pólo não está respondendo o que foi perguntado e questiona o próprio Górgias acerca de qual o nome da arte que ele desempenha. Górgias responde que é a arte da Retórica. Os dois concordam em chamar Górgias de orador, de acordo com a arte que este desempenha. Sócrates, então, questiona Górgias acerca de qual seria o objeto da retórica, ou ainda, ao que em particular a retórica diz respeito. Górgias responde, dizendo que o objeto da retórica é o discurso. Sócrates também questiona Górgias a respeito do fato de existirem muitas outras artes que também tem o discurso como objeto, como a arte médica e a arte da pintura. Com isso, eles concluem que nem todo discurso é objeto da retórica.

Na continuação do diálogo, Górgias afirma que a retórica é a arte do discurso uma vez que toda sua ação depende inteiramente dele. Mas Sócrates alega que muitas outras artes também dependem inteiramente do discurso, como a Geometria e a Aritmética, por exemplo. Górgias aceita a afirmação de Sócrates que a retórica não é nenhuma dessas artes acima citadas. Então Sócrates questiona acerca de qual o bem que a retórica produz. Górgias responde, dizendo que a retórica refere-se à capacidade de convencer ou persuadir as pessoas mediante o discurso. Mas Sócrates questiona Górgias a respeito de se outras artes, como a Aritmética por exemplo, também não persuadem com seus ensinamentos. Górgias concorda com esta afirmação e, assim, os dois concordam que a Aritmética também é produtora de persuasão. Então Sócrates quer saber de Górgias qual tipo de persuasão a retórica tem como objeto. Ele responde, dizendo que é a respeito da persuasão que é encontrada nos tribunais e que se ocupa com o que é justo e injusto.

Mais adiante, Sócrates e Górgias concordam ao afirmar que “ter acreditado” e “ter aprendido” são coisas diferentes, e que a retórica apenas produz persuasão para a crença, não tendo a retórica o poder de instrução para o ensino, para o “ter aprendido”. Então Sócrates pergunta o que se ganhará ouvindo a arte de Górgias, este responde, afirmando que sobre temas técnicos como militarismo e medicina são os oradores como Temístocles e Péricles que são ouvidos, ao invés dos profissionais das áreas específicas. A partir desta alegação de Górgias, Sócrates afirma que o poder da Retórica é algo sobrenatural. Górgias complementa esta opinião ao dizer que se colocassem um médico e um orador para uma disputa sobre medicina, o orador sairia vencedor, e que isso se aplica a qualquer arte que se pusesse em disputa.

Depois disso, Sócrates volta a questionar Górgias a respeito da retórica. Eles concluem que a retórica persuade uma multidão de ignorantes, mas não convence as pessoas que possuem conhecimento sobre determinada matéria em questão. Sócrates também questiona a possibilidade de um orador fazer um uso injusto da retórica, apesar de afirmar que o orador tem conhecimento sobre o justo e o injusto. Com esta dúvida levantada por Sócrates, Pólo entra no debate e alega ser de péssimo gosto questionar o conhecimento acerca do que é justo de Górgias e sua capacidade de ensiná-lo. Sócrates volta atrás com relação à questão levantada por ele e daí Sócrates passa a dialogar com Pólo. Este último pergunta a Sócrates o que ele pensa sobre o que é a Retórica, e ele responde, dizendo que esta não chega nem a ser uma arte, mas é uma habilidade, assim como ele considera a culinária uma habilidade, e que estas duas não passam de habilidades que dão satisfação e prazer. Ainda sobre a Retórica, Sócrates afirma ela não ser nem um pouco nobre: ele resume a sua essência como sendo uma adulação. Ele também classifica a Retórica como uma cópia de uma ramificação da Política e que a considera vil. Górgias diz que não consegue compreender Sócrates e daí eles passam a dialogar um com o outro.

Dando continuidade, Sócrates explica sua afirmação à Pólo e à Górgias: a retórica é apenas um departamento da adulação e pode ser comparada ao que é a culinária para a saúde do que ela é para a Justiça. Sócrates também diz que os oradores (os praticantes da retórica) são desconsiderados em suas cidades. Pólo questiona esta última afirmação de Sócrates, dizendo que os oradores são os mais poderosos em suas cidades. Sócrates afirma que isso é falso, quando se considera que o poder é algo bom para quem o possui. Ele também diz que os oradores e os tiranos, apesar de executarem pessoas, destituírem outras de suas propriedades e a expulsarem de seus Estados, ou seja, apesar de fazerem tudo o que consideram o melhor, não fazem, a rigor, nada de que desejam. Portanto, Sócrates conclui que os tiranos e oradores possuem pouco poder.

Mais adiante, Sócrates e Pólo discutem sobre a questão de, acerca das ações mencionadas anteriormente (executar pessoas, destituí-las de suas propriedades e a expulsarem de seus Estados), por exemplo, se executá-las é melhor ou pior para quem as executa. Pólo, de início, afirma que existem indivíduos injustos e que, apesar disso, são felizes. Sócrates, por sua vez, questiona esta afirmação ao dizer que a pessoa nobre e boa é feliz, enquanto que o injusto e perverso é miserável. Pólo não concorda com esta alegação de Sócrates. Este último procura explicar sua posição à Pólo. A partir de uma argumentação, Sócrates mostra à Pólo que cometer injustiças é pior do que sofrê-las. Pólo acaba concordando com isso. Agora, Sócrates debate com Pólo acerca da questão de se cumprir uma pena aquele que cometeu uma injustiça é bom ou mal. Eles concluem, a respeito disso, que pagar a pena é um bem, enquanto que se livrar da pena é um mal para a alma. Sobre a Retórica, Sócrates afirma que ela tem pouca ou nenhuma utilidade para aquele que não quer cometer injustiças. Cálicles não concorda com a ideia de que cometer injustiça é pior do que sofrê-la. Ele acusa Sócrates de interrogar Pólo com base no conceito de convenção quando este se baseia no conceito de natureza e vice-versa. Cálicles também critica a Filosofia, dizendo que esta deve ser estudada somente por crianças, e não por adultos.

Ainda dialogando com Cálicles, Sócrates busca entender a afirmação de Cálicles quando este disse que justiça é o mais forte e governar o mais fraco. Sócrates quer saber se, para Cálicles, o que é melhor e o que é superior são a mesma coisa. Cálicles responde dizendo que são a mesma coisa, e também diz que é melhor e superior o indivíduo que tem conhecimento e denodo nos negócios públicos. Ele também afirma que a justiça é dar mais coisas aos melhores e superiores e menos coisas aos mais fracos. Cálicles também diz que uma vida virtuosa e feliz é aquela em que se saciam todos os desejos sem nenhum limite. Sócrates, para refutar esta última alegação de Cálicles, busca mostrar que o bom não é mero gozo incondicional. A partir de uma minuciosa argumentação, Sócrates conclui que as coisas boas não são idênticas ao que é prazeroso, nem as más coisas idênticas ao doloroso. Ele também diz que nem todo prazer é bom, ou seja, alguns são maus, o que refuta a ideia de Cálicles de que uma vida virtuosa é aquela na qual se satisfaz todos os desejos, independentemente de tais desejos serem bons ou maus.

Mais adiante no diálogo, Sócrates afirma que todas as ações do homem devem ser feitas em busca do bem, e Cálicles concorda com esta afirmação. Então Sócrates e Cálicles concordam que é necessário um profissional da arte em cada caso para saber distinguir as coisas prazerosas que são boas das que são más. Sócrates também diz qual o objetivo do diálogo que todos eles estão tendo: saber qual é a forma melhor de viver, a saber, se a vida deve ser vivida com discursos na Assembleia, com a prática da Retórica e com a entrada na política à maneira de Cálicles e os outros, ou uma vida dedicada à Filosofia. Posto isto, Sócrates volta a falar da culinária como habilidade experimentada que não busca o bem, mas somente ao prazer, diferentemente da Medicina, esta sendo uma arte que busca o bem, segundo Sócrates. Ele também classifica a poesia trágica como um tipo de retórica e uma lisonja, e Cálicles concorda com Sócrates.

Então Sócrates questiona Cálicles se houve algum orador que em seus discursos na Assembleia buscava o melhor para os cidadãos ao invés de apenas agradar e satisfazer os indivíduos. Cálicles responde que, no passado, havia alguns bons oradores como Temístocles, Címon, Miltíades e Péricles. Mas Sócrates diz que estes poderiam ser considerados bons oradores apenas se a verdadeira virtude fosse a satisfação dos desejos, sem se preocupar se estes são bons ou maus para o homem. Cálicles diz que, se Sócrates procurar corretamente, encontrará ao menos um bom orador. Então Sócrates decide examinar esta questão. Ele inicia esse exame ao analisar o estado de organização e ordem da alma do homem, chamando os estados da alma de justiça e moderação. Sócrates também afirma, com base numa argumentação, que ser disciplinado é melhor para a alma do que a falta de disciplina. Cálicles responde que não entendeu o que Sócrates quis dizer. Cálicles se retira do debate e este se torna um monólogo de Sócrates.

No início deste monólogo, Sócrates faz uma recapitulação do que já foi discutido antes, acrescentando algo novo, quando ele afirma que algo é bom porque há uma virtude neste algo; quando diz que a virtude ocorre em algo devido a uma disposição organizada e ordenada neste objeto; quando fala que uma alma ordenada é melhor do que uma desordenada, e que a alma ordenada é moderada e, portanto, a alma moderada é boa. Ele prossegue no seu monólogo, dizendo que o homem justo, corajoso e religioso é feliz, enquanto o homem vicioso é infeliz. E este homem vicioso é, segundo Sócrates, o indivíduo indisciplinado que Cálicles elogiava.

Na continuação do monólogo de Sócrates, ele afirma que a pessoa que deseja ser feliz deve buscar a moderação e fugir da indisciplina. Ele também diz que a justiça deve ser aplicada na vida de uma pessoa se esta quer ser feliz, e que o foco de todo homem deveria ser o de ser abençoado da justiça e moderação. Sócrates continua e reafirma que os atos maus são piores para os que os cometem do que para as vítimas deles.

Voltando a dialogar com Cálicles, Sócrates e ele concordam ao dizer que uma pessoa só poderia escapar de uma injustiça se esta pessoa possuísse um poder para isso. Sócrates também afirma que só se pratica uma injustiça involuntariamente, e que também seria necessário um poder ou arte para evitar cometer um ato mau. Então Sócrates começa a falar sobre quem seria amigo de um tirano selvagem e sem educação. Ele conclui que o único amigo deste tirano seria uma pessoa de caráter igual ao seu. Daí Sócrates fala sobre o que se tornaria a vida de um jovem que quisesse ter grande poder num Estado governado por um tirano dessa estirpe: a vida deste jovem seria uma vida com o pior dos males, a saber, uma vida em que comete-se inúmeras injustiças e que se mantém impune quanto às injustiças que comete. Sócrates também questiona Cálicles se o que é nobre e bom não é algo distinto de preservar a vida dos outros e a sua própria. Além disso, Sócrates quer que Cálicles averigue se é vantajoso para eles se tornarem o mais semelhante possível ao povo ateniense, para que obtenham um grande poder na cidade e para que se tornem um político e um orador da maneira como Cálicles deseja. Para refutar a possibilidade desta averiguação, Sócrates diz que os oradores que Cálicles tinha afirmado que eram bons políticos (Péricles, Temístocles, etc.), na verdade, foram maus políticos, porque estes não tornaram os cidadãos atenienses melhores do que antes, tarefa que os dois concordam que deveria ser o objetivo dos políticos.

Como continuação do diálogo, Sócrates diz que nunca houve um único caso em que um governante foi arruinado pelo próprio Estado em que governava. Sobre os sofistas, Sócrates afirma achar um absurdo quando um sofista alega ter sofrido injustiças de um discípulo que supostamente teria se tornado bom e justo graças ao ensino deste sofista. Cálicles concorda com Sócrates quando este diz achar ilógico quando um sofista acusa um discípulo deste modo. Sócrates, para concluir este assunto, afirma que os oradores e os sofistas são os únicos que não podem acusar seus discípulos de serem maus com eles, pois, se o fizerem, estarão acusando a si próprios de não conseguirem tornar seus alunos virtuosos. Ainda sobre os oradores e sofistas, Sócrates diz que é vergonhoso o fato de eles cobrarem remuneração para ensinar a virtude, além de afirmar que é um bom sinal quando alguém restitui o ensino da virtude com um ato virtuoso para uma outra pessoa, mas que, quando isso não ocorre, não é um bom sinal.

Mais adiante no diálogo, Sócrates questiona Cálicles a respeito de qual comportamento para com o Estado ele convida Sócrates: a de agir como um médico, buscando tornar os atenienses os melhores possíveis ou o de agir satisfazendo todos os desejos destes últimos, sem questionar se esses desejos são bons ou maus para as pessoas. Cálicles responde, afirmando pela segunda opção. Então Sócrates diz que qualquer pessoa que opte pela segunda opção estará o matando, matando um homem bom. Cálicles diz que o impressiona muito o fato de que Sócrates não acredite que algum homem corrupto possa o levar para o tribunal. Como resposta a isso, Sócrates diz que de fato há esta possibilidade, mas ele tem a certeza de que só um homem vil o conduziria ao tribunal. Sócrates também afirma que não seria nada estranho se ele fosse executado, e Cálicles concorda com esta afirmação. Sócrates diz o porquê desta possível execução ser possível de ocorrer, quando afirma que ele é um dos poucos ou senão o único a praticar a genuína política. Ele também afirma que pelo fato de seus discursos visarem o que é melhor para as pessoas ao invés do que é o mais prazeroso, ele ficaria sem ter o que dizer em sua defesa num eventual julgamento no tribunal. Sócrates exemplifica um eventual julgamento no tribunal, dizendo que ele seria como um médico julgado por um júri de crianças em uma acusação feita por um cozinheiro, ou seja, Sócrates seria acusado por uma pessoa que somente visa satisfazer os apetites destas crianças, enquanto ele mesmo, na condição de médico, poderia dizer a verdade, isto é, que teria prescrito tratamentos e poções visando a saúde das crianças, mas a reação das crianças seria negativa para com Sócrates, que também diz que o médico, nesta situação, ficaria perdido com relação ao que dizer para sua defesa. Sócrates diz que este seria o seu destino se fosse levado ao tribunal: ficaria incapacitado de dizer a verdade, a saber, que é no interesse da justiça que ele faz e diz tudo isso, e incapacitado de dizer qualquer outra coisa, e deste modo, sucederia a ele neste julgamento qualquer coisa que fosse capricho da sorte.

Então Cálicles questiona Sócrates se ele, em tal situação, se apresenta como alguém admirável para um Estado. Sócrates responde que sim, se aquele fosse seu único recurso, o qual Cálicles teria admitido reiteradamente: o recurso de se Sócrates tivesse se erguido por si mesmo sendo justo para com outros homens e para com os deuses. Ele continua, dizendo que se ele fosse condenado à morte por não ter se utilizado da retórica lisonjeira, ele aceitaria sua morte tranquilamente, uma vez que não teria cometido injustiças, que ele diz que é o que as pessoas temem cometer. Logo, ele diz que o máximo de todos os males é chegar ao Hades com a alma cheia de ações injustas. Ele busca demonstrar esta última afirmação através de uma narrativa. Cálicles permite que ele faça tal demonstração. Então Sócrates fala a respeito de uma narrativa de Homero, na qual Zeus, Poseidon e Plutão (ou Hades) teriam dividido entre si a soberania quando a tomaram de seu pai. Além disso, no tempo de Cronos, havia uma lei que dizia que o ser humano que viveu na justiça e na religiosidade parte após a sua morte para a ilha dos abençoados e vive ali em plena felicidade. No entanto, todo homem ou mulher que viveu na injustiça e irreligiosidade vai para o calabouço da punição e da retaliação. No tempo de Cronos, ou até mesmo no reinado de Zeus, os seres humanos enfrentavam juízes vivos e os homens e mulheres julgados eram julgados também ainda vivos. Segundo a narrativa, o resultado disso é que os julgamentos eram mal decididos. Então Plutão e os supervisores da ilha dos abençoados foram até Zeus e o informaram que os seres humanos estavam transitando imerecidamente de um lugar para o outro. Então Zeus, para resolver isso, decide que tanto os juízes quanto os julgados deveriam estar mortos no julgamento. Zeus também designa alguns de seus próprios filhos para executarem os julgamentos: Radamanto julgaria os seres humanos provenientes da Ásia e Aeco julgaria os homens e mulheres da Europa. Ao seu filho Minos, Zeus designaria o privilégio da decisão final, caso algum dos outros dois ficassem em dúvida com relação ao julgamento. Os julgamentos ocorreriam na campina da encruzilhada. Sócrates diz que foi isto que ele ouviu e que acredita que essa narrativa é verdadeira.

A conclusão que Sócrates tira da narrativa em questão é a de que a morte é a separação da alma com relação ao corpo. Tanto a alma quanto o corpo conservam sua condição igual a como eram enquanto o ser humano estava vivo. Mais adiante, ele afirma que os homens que perpetraram injustiças extremas são em sua maioria tiranos, reis, e homens que atuavam na administração dos Estados. Estes possuíam a alma deformada devido às injustiças cometidas, segundo Sócrates e de acordo com o testemunho de Homero, já que este último retrata reis e potentados como os que são castigados perpetuamente no Hades, enquanto que o retrato de Térsites ou qualquer outro indivíduo da vida privada não foi feito como um incurável, isto é, não foi submetido a um castigo intenso. Sócrates também diz que são poucos os homens que tem poder que são bons, mas eles existem. Ele dá o exemplo de Aristides, filho de Lisímaco. Mas Sócrates conclui que a maioria dos que estão no poder são perversos.

Voltando a falar sobre a narrativa, Sócrates fala a respeito de como Radamanto julga um homem perverso que possui poder: não dispondo de nenhuma informação acerca do julgado, sabendo unicamente que se trata de uma pessoa perversa, identifica-o como curável ou incurável e o envia ao Tártaro, para sofrer sua punição apropriada. Mas quando ele identifica uma alma que viveu uma vida piedosa devotada à verdade, ou de uma pessoa de vida privada ou a de qualquer outro ser humano que, como defende Sócrates, viveu a vida de um filósofo que se ocupou de seus próprios negócios e não se comportou como um intrometido, Radamanto é tomado de admiração e o envia às ilhas dos abençoados. Aeco se comporta como Radamanto. Com relação à Minos, ele diz que este é um supervisor e se distingue pelo cetro de ouro que segura, como Odisseu diz que o viu em Homero: “… Empunhando um cetro de ouro, sentenciando os mortos…”.

Por fim, Sócrates diz que essas narrativas bastam a ele, e ele se considera capaz de se apresentar ao seu juiz como tendo sua alma a melhor saúde possível. Então, ele se empenhará, por meio da investigação da verdade, em ser o melhor possível, praticando a justiça e todas as outras virtudes, tanto na vida quanto na morte. Sócrates também convida Cálicles e todas as outras pessoas a buscarem este modo de vida. Ele também diz que a retórica deveria ser utilizada apenas para apontar o que é justo.

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