Resumo do Livro X da obra “A República” de Platão

No início do referido livro, Sócrates e Glauco discutem acerca da criação dos objetos. Tomando por exemplo uma cama, Sócrates diz que o criador da cama de verdade – da essência da cama – é um deus. Já o artesão monta cópias da ideia de cama, enquanto o pintor imita as camas criadas pelos artesãos; neste caso o pintor imita a cópia da cama. Sua imitação é a cópia da cópia da cama verdadeira.

Eles também falam sobre Homero, Hesíodo e os poetas trágicos, dizendo que estes não passam de imitadores de objetos sem conhecerem as verdadeiras qualidades e defeitos de cada objeto imitado; os poetas, segundo Sócrates, encontram-se na mesma posição que o pintor de camas ou de qualquer outro objeto: criam a cópia das cópias criadas pelos artesãos, ferreiros etc.

Sócrates diz que não deveriam ser aceitos os poetas num Estado bem administrado, porque as imitações que eles criam alimentam a parte irracional da alma dos indivíduos e imitam o que há de emotivo e inconstante no homem. Ele também diz que as poesias homéricas imitam dores que são vergonhosas, mas que, no momento da imitação, fazem com que seus ouvintes sintam prazer, de modo que estas poesias tornam até os homens de bem, com raríssimas exceções, piores do que são.

Sócrates também fala sobre a imortalidade da alma, provando-a através de uma demonstração: se o mal da alma, como a injustiça ou a intemperança, por exemplo, não conseguem corromper ou matar a própria alma de quem é injusto ou intemperante, e o mal de uma coisa não pode corromper uma coisa diferente dela mesma, como, por exemplo, o corpo se corrompe pelo mal dele mesmo, mas o mal do corpo não pode corromper a alma, então pode-se concluir que não há nada que possa matar e fazer perecer a alma, logo ela é imortal.

Ele fala também sobre as características da alma, esta que deve ser vista pelo seu amor pela sabedoria, sua busca pelo que é divino, imortal e eterno, para ser entendida como perfeita.

Em seguida, Sócrates diz que a justiça é o bem mais precioso para a alma, e que os homens justos recebem boas recompensas dos deuses e dos homens, enquanto os injustos acabam sendo alvos de zombaria e humilhação.

Mais adiante, ele fala do que Her, filho de Armênio, originário da Panfília, viu enquanto esteve no Hades. O relato de Her diz, entre outros detalhes, que cada alma era castigada ou recompensada dez vezes mais de acordo com suas más ou boas ações em vida, respectivamente. Her também disse que as ações relacionadas com os deuses e com os pais, além das relacionadas com assassinatos à mão armada, eram compensados com medida ainda maior. Estando de acordo com o relato de Her, Sócrates continua falando, no final do Livro X, sobre vida após a morte e fala sobre reencarnação.

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