Dialogando com Glauco, Sócrates começa a discorrer sobre as formas de governo e as formas de indivíduos que se adaptam à essas formas de governo. Sobre a aristocracia, eles afirmam que a consideram boa e justa. Depois, Sócrates fala sobre como a aristocracia se torna uma timocracia, um governo intermediário entre a aristocracia e a oligarquia.
Ele diz que existe um número geométrico que deve ser considerado sempre para a procriação dos guardiões. Uma vez desconsiderado este número pelos guardiões, haverá de nascer filhos guardiões que, quando chegarem no poder, haverão de desconsiderar a música e a ginástica na educação do Estado e, com isso, os jovens se tornarão mais incultos. Esses se tornarão desinteressados pelo governo e em discernir as pessoas das raças de ouro, prata, bronze e ferro. A mistura do ferro com a prata e do bronze com o ouro, decorrente desse desinteresse dos governantes, gerará a guerra e a discórdia. Isto, para Sócrates, causaria a transformação da aristocracia numa timocracia. Ainda sobre a timocracia, Sócrates afirma que nesta existe uma característica “peculiar e evidente”, que é “… o domínio da emotividade que provoca intriga e ambição”.
Já dialogando com Adimanto, Sócrates fala sobre a gênese e o caráter do jovem timocrático. Ele diz que a única maneira deste tipo de jovem guardar suas virtudes já adquiridas seria através da aliança da razão com a música.
Após esse discurso, Sócrates e Adimanto passam a discorrer acerca da oligarquia. Sócrates diz sobre a oligarquia, que esta é a “… organização do Estado fundada sobre a renda, aquela em que os ricos governam e os pobres são privados de todo poder.” Eles dois passam a discorrer sobre como a timocracia se torna uma oligarquia, falando também sobre o caráter do homem oligárquico. Sobre esta transformação da timocracia em oligarquia, Sócrates diz que “… se num Estado a riqueza e os ricos são estimados, a virtude e os honestos são desprezados.” Acerca do caráter do jovem oligárquico, ele diz que este tem muito apreço pelas riquezas e que não se interessa pela cultura.
Mais à frente, Sócrates e Adimanto passam a falar sobre a democracia. Sobre a transformação da oligarquia em democracia, eles falam sobre o fato de que os governantes, na oligarquia, querem ficar cada vez mais ricos e, para isso, emprestam dinheiro para jovens que se entregam à libertinagem. Deste modo, muitos homens são reduzidos à pobreza. Mas estes pobres, na condição de súditos, se voltam contra os governantes e, assim, cria-se uma guerra civil. Então, para Sócrates, a democracia se estabelece “… quando os pobres vencem, massacram alguns, mandam para o exílio outros e, com os restantes, dividem em condições de igualdade o governo…”.
Ele diz também que a democracia dá muita liberdade às pessoas, mas que essa liberdade não é tão boa quanto parece, pois deixa-se de levar em conta os valores de que Sócrates e os outros discutiam até agora sobre a criação de um Estado.
Sobre o caráter do homem democrático, Sócrates diz que este vive satisfazendo o primeiro desejo que aparece, sem distinguir os desejos honestos dos desejos maus; assim, o homem democrático chama de educação a insolência, de liberdade a anarquia, de magnificência a libertinagem, e a coragem de impudicícia.
Por fim, falam acerca da tirania, o último tipo de governo discutido por eles. A tirania surge, segundo Sócrates, da degeneração da democracia, da extrema liberdade experimentada na democracia e do apreço que o povo dá a esta liberdade.
Ele diz que, na democracia, a tirania surge quando o povo, crendo que alguns ricos pretendem criar uma oligarquia, passa a defender um homem chamado de “protetor do povo”. Um chefe da cidade, vendo a submissão do povo para com este protetor, defende-o e, assim, se volta contra os ricos. Os súditos procuram criar uma ocasião para matar este chefe, mas ele, se permanece vivo e livre, pede ao povo uma escolta especial para o “protetor do povo”. Assim, este chefe rico, que poderia ser antipático, ganha o povo ao proteger o seu “protetor”, e, eliminando muitos adversários, acaba por se tornar um novo tirano deste Estado. Quando chega ao poder, este tirano começa seu governo tratando bem ao povo e a seus partidários, perdoando dívidas e distribuindo terras. Mas, para permanecer no poder, ele acaba por eliminar alguns inimigos, homens de espírito livre e até os seus amigos.
Sócrates critica os poetas trágicos por elogiarem a tirania, e diz que quanto mais superior é o governo de uma cidade, menos prestígio terão estes poetas. No final do Livro VIII, Sócrates diz que este tirano maltrataria até o próprio pai para se manter no poder.
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