No Livro IV, Adimanto toma a palavra e questiona Sócrates sobre o modo de vida que ele desenvolve para os defensores. Sócrates afirma que, para que o Estado prospere e que todos os indivíduos sejam felizes, é necessário que os guerreiros não possuam posses e recebam apenas o alimento como salário.
Após isso, Sócrates e Adimanto discutem sobre estratégias para manter o Estado em boas condições, como longe da pobreza e da riqueza, porque “… uma é causa de moleza, de preguiça e de amor pelas novidades, enquanto a outra gera esse mesmo interesse pelas novidades, além de engendrar a mesquinhez e a inclinação a trabalhar mal.”
Também falam sobre regras que os defensores deveriam seguir para o bom governo do Estado, além da grande prescrição para o Estado: a cultura e a educação. Eles discutem sobre a necessidade de se proteger a ginástica e a música de qualquer inovação contra a ordem estabelecida, e falam sobre regras que não deveriam ser transformadas em leis. Sócrates também fala sobre as leis que se referem à construção de templos, aos sacrifícios, ao culto dos deuses, dos gênios e heróis etc.
Na continuação do Livro IV, Glauco ajuda Sócrates a definir as quatro virtudes elencadas por Sócrates como existentes no Estado: sabedoria, coragem, temperança e justiça.
Com relação à virtude da justiça, Sócrates passa a buscá-la primeiramente no Estado. Sócrates define a justiça no Estado como a divisão das funções dela entre os mercadores, artesãos e defensores, sendo que cada uma das três classes cumpra tão somente a sua própria função. Mas, para concluir esta busca, ele decide procurar a virtude da justiça, antes, num indivíduo particular. No indivíduo, Sócrates diz que no homem existem três faculdades: a das atividades intelectuais, a faculdade na qual experimentamos emoções e a terceira, mediante a qual sentimos necessidade de alimentos, da procriação e de prazeres afins. Ele também fala que o indivíduo é justo, da mesma forma que o Estado quando as três faculdades do homem cumprem sua função e quando elas três estão harmonizadas entre si. O Estado também possui estas três faculdades, divididas entre os assalariados, os defensores e os governantes, cada uma dessas classes exercendo uma função. Sócrates e Glauco finalizam a investigação sobre a justiça no indivíduo com estas definições.
O Livro IV termina com estes dois personagens afirmando que ter bons hábitos e ser justo é conveniente ao invés de agir mal e ser injusto, e falam sobre formas de governo e formas da alma.
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