No Livro III, Sócrates e Adimanto continuam a discutir que tipo de poesia e quais versos devem ser contados ou ocultados aos defensores. Os dois concordam com a ideia de que os defensores devem ser corajosos, portanto, eles não devem temer a morte e, além disso, devem preferir a morte mais do que a derrota e a escravidão. Versos que difamem o Hades, eis um exemplo de versos que devem ser proibidos aos ouvidos dos guerreiros. Os versos que cultivam a temperança devem ser contados aos jovens ao passo que versos que falem mal dos deuses e heróis devem ser proibidos.
Mais adiante, Sócrates e Adimanto discutem sobre qual estilo de discurso deve ser utilizado pelos poetas: o discurso narrativo, o imitativo ou um estilo misto dos dois. Sem concluir este tema, eles avançam no diálogo para discutir quais ações ou atividades os guerreiros devem ser capazes de imitar. Para eles, os guerreiros devem desempenhar apenas a atividade de defesa do Estado, imitando apenas as qualidades exigidas deles desde criança: a temperança, a santidade, a coragem, a generosidade etc.
Quanto aos oradores e poetas, estes deveriam ser capazes de imitar apenas o homem honesto.
Definidos os versos permitidos na pólis, Sócrates passa a discutir com Glauco sobre os ritmos e as harmonias que serão aceitas por eles no Estado para a educação dos defensores. Harmonias que imitem o que convêm a um homem corajoso, empenhado em uma ação de guerra, e harmonias que imitem um homem numa ação de paz por livre escolha. Isto é, as harmonias dóricas e as frígias, estas deveriam permanecer no Estado. Com relação aos ritmos, seria necessário examinar quais seriam os ritmos adequados a se adaptar a uma vida bem regrada e corajosa. Mas, sobre este exame, Sócrates e Glauco deixam para Damon lhes explicar num outro momento.
Para a educação dos defensores e dos jovens em geral, então, os dois defendem que é decisiva a educação musical, pois ela torna o homem belo e honesto. Os defensores precisarão praticar ginástica também, mas uma que seja simples, moderada, que prepare para a guerra.
Mais adiante, Sócrates e Glauco discutem sobre quais médicos e juízes deveriam ser aceitos no Estado, além de debaterem mais um pouco sobre a questão da música e da ginástica.
Por fim, os dois debatedores discutem acerca do modo como devem ser escolhidos os governantes, defensores, artesãos e agricultores do Estado. Para esta importante tarefa, Sócrates afirma que seria necessário infundir na educação dos cidadãos uma mentira de origem fenícia que diz, em resumo, que na formação dos governantes foi misturado um pouco de ouro; na formação dos guerreiros foi misturado um pouco de prata; e, na formação dos artesãos e agricultores, foi misturado um pouco de ferro e de bronze.
Sócrates e Glauco finalizam o Livro III discutindo acerca de como deveria ser o modo de vida dos defensores.
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